segunda-feira, 30 de outubro de 2017

As Ciências da Computação no contexto educativo (parte III e fim)

É demasiado evidente o meu interesse pela integração das Ciências da Computação nos contextos educativos. Quer através da experiência direta com as crianças (Educação Pré-Escolar e 1.º Ciclo do Ensino Básico), mas também pela formação realizada/dinamizada em maio passado com um grupo de docentes, as conclusões foram e são unânimes acerca da sua inclusão educativa.
Desde há alguns anos que tenho procurado testar e experimentar diversas atividades ou momentos educativos (de forma direta e indireta), para que se consiga desenvolver determinadas competências digitais nas crianças (também na temática das Ciências da Computação). As situações educativas foram na sua globalidade desenvolvidas na Atividade de Enriquecimento Curricular de TIC,  onde naturalmente não há um currículo rígido, antes pelo contrário, apenas orientações educativas, e é aqui que se conjuga toda a diferença.
As competências digitais, independentemente do Ciclo onde a criança se encontra, serão fundamentais num futuro demasiadamente próximo e torna-se essencial o "reagrupar de tropas" e redefinir o que de facto é importante hoje as crianças saberem, aprenderem e trabalharem (provavelmente com a flexibilização, o processo seja mais fácil).
Se refletirmos um pouco e relembrarmos de algumas atividades do nosso passado escolar, mas também do presente (como por exemplo, criar percursos no 2.º ano ou organizar as sequências do dia-a-dia na Educação Pré-Escolar), podemos verificar alguns dos conceitos que fazem parte da temática das Ciências da Computação. Isto quer dizer que não é de agora esta abordagem, contudo, com o desenvolvimento tecnológico, importa contextualizar esses conceitos e relacioná-los com a tecnologia (no caso dos exemplos: criar percursos - programação; organizar as sequências - algoritmo).
Penso que já estivemos mais longe desta integração. Acredito que num futuro bem próximo, iremos observar um maior número de contextos escolares a explorarem e a dinamizarem esta temática. Mas para tal é ainda necessário uma maior abertura e flexibilização estrutural do currículo, investimento tecnológico (mesmo que existam as tais estratégias sem tecnologia, é fundamental haver tecnologia nas salas de aula), vontade em aprender (dos docentes), etc, etc e etc...




domingo, 22 de outubro de 2017

As Ciências da Computação no contexto educativo (parte II)

A abordagem às Ciências da Computação nos contextos educativos está ainda longe da sua plenitude, no entanto, são cada vez mais os diversos e diferentes exemplos. Quer pela própria iniciativa das escolas, mas também através do suporte de outras entidades (como por exemplo, o Gabinete de Modernização das Tecnologias, da Região Autónoma da Madeira), esta temática começa a ganhar forma.
A forma como vejo esta temática é numa dinâmica transversal, e a minha opinião vale o que vale, no entanto, é fundamental que se dê algum tempo efetivo para a inclusão e integração das Ciências da Computação nos contextos educativos. Todos os espaços escolares têm as suas formas e estruturas de trabalho (por exemplo, na Região Autónoma da Madeira, ao nível do 1.º Ciclo do Ensino Básico, existe a Atividade de Enriquecimento Curricular TIC), pelo que seja fundamental o respetivo ajustamento e enquadramento.
De acordo com literatura recente, o desenvolvimento de atividades ou de momentos relacionados com as Ciências da Computação é considerado um "novo" virar de página, isto é, “pode contribuir, de maneira interdisciplinar, na busca de soluções de problemas diversos, através da disseminação do chamado pensamento computacional” (França, Silva & Amaral, 2013:282). 
E é neste ponto, o desenvolvimento do pensamento computacional, que também se perspetiva a inclusão das Ciências da Computação no contexto educativo. Deste modo, tenho verificado uma aposta internacional/nacional na criação de conteúdos ou de ferramentas, por parte de empresas e de comunidades educativas, com o intuito de ajudarem os profissionais da educação.
Contudo, compreendo perfeitamente o receio de algumas pessoas nesta abordagem educativa, quer seja por falta de conhecimentos ou por falta da própria tecnologia. No entanto, existem outras tantas formas de conseguirmos "trabalhar" o pensamento computacional nas escolas, sem qualquer tipo de referência tecnológica. E, em alguns casos, a simplicidade das atividades são o verdadeiro motor de arranque que tantos anseiam.
Deixo aqui algumas sugestões, nomeadamente no desenvolvimento de atividades sem a tecnologia. Importa referir que muito dos materiais não estão disponíveis na língua portuguesa:
- Teaching London Computing 
- Computer Science Unplugged
Ensinando Ciência da Computação sem o uso do computador


https://www.tcea.org/blog/wp-content/uploads/2015/11/computational-thinking.png


França, R. S., Silva, W. C., Amaral, H. J. C. (2013). Despertando o interesse pela Ciência da Computação: Práticas na Educação Básica. Disponível em: http://www.academia.edu/2650713/Despertando_o_Interesse_pela_Ci%C3%AAncia_da_Computa%C3%A7%C3%A3o_Pr%C3%A1ticas_na_Educa%C3%A7%C3%A3o_B%C3%A1sica. Acedido em outubro de 2017.

sábado, 7 de outubro de 2017

As Ciências da Computação no contexto educativo (parte I)

As Ciências da Computação na sua aproximação e no enquadramento com os contextos educativos, pretendem ser também um suporte ao desenvolvimento do pensamento computacional e do raciocínio lógico. Quer com (ou sem) tecnologia, as atividades que sejam realizadas e dinamizadas, estas poderão desenvolver a capacidade das crianças em resolver problemas (associados ou não à tecnologia).
Eu refiro o "poderão" porque nem sempre conseguimos atingir os nossos objetivos, em virtude de diferentes e inúmeros percalços que acontecem. Contudo, para o desenvolvimento destes momentos, tais como tantos outros, importa definir o caminho e enquadrar devidamente de acordo com o respetivo contexto. Quantidade não é sinónimo de qualidade, pelo que é importante optar pelo simples, mas que funcione efetivamente.
Todo este propósito em desenvolver a capacidade das crianças para resolverem problemas (trabalho em equipa, cooperação,...) já não é de agora. No geral dos espaços escolares, é algo que se procurou fomentar no passado e no presente. Aquilo que mudou, de certa forma, são as estratégias para que possamos ir ao encontro desse mesmo desenvolvimento.
Desta forma, as Ciências da Computação, no âmbito do desenvolvimento do pensamento computacional, não é só uma estratégia para o melhorar a capacidade de resolução de problemas, mas também para compreender como as tecnologias funcionam (programação, algoritmo) e preparar os alunos para uma sociedade futuramente (caoticamente) tecnológica.
Os primeiros passos já foram dados. Mais serão precisos. Elas têm espaço e a criatividade do professor será uma das melhoras formas para a sua integração.

http://tecnologiadoomega.blogspot.pt/2014/08/